PEDRO

PEDRO
APONTANDO CAMINHO

domingo, 29 de agosto de 2010

DIA DOS PAIS - UMA CARTA DE DESPEDIDA


-->
Amado filho. Lembrei que havia escrito uma carta, no dia dos pais, de 2010, dia que você retornou para Cuiabá.
E, hoje, 29 de agosto, a coloco no blog, para um dia, quem sabe, você ler.
É uma carta retratando o que sentia e como eu estava já vivendo a saudade de você. Espero que entenda e não se aborreça, tá bom?
Te amo, filho.
Teu pai.
Ps. a foto é do nosso passeio no parque municipal de BH.

Rio de Janeiro, 08 de agosto de 2010
Para quem a se dispuser ler.
Hoje, é dia dos Pais. Um dia para se comemorar a existência de alguém na vida de outras pessoas, no caso, pai na vida dos filhos/filhas.
Hoje, como todos os dias, inúmeras coisas estão acontecendo e irão acontecer, como ocorre em todos os dias da vida humana. É mais um dia.
No entanto para mim, não é qualquer dia. Não é um simples dia de acontecimentos. É um dia muito especial. É um dia em que espaço e o tempo adquirem significado singular e faz com que me sinta outra pessoa.
Hoje, dias Pais, mais do que nunca, relembro meu pai e compreendo suas lágrimas derramadas de quando eu me despedia e partia em direção à minha casa em outra cidade. Percebo, agora, como somos tão parecidos no sentir a ausência/saudades.
Hoje, meu filho parte e retorna para sua cidade, como eu partia e eu chorava pela enorme saudade que passava a ocupar minha existência. Só posso dizer que dói. Dói demais as duas dores. A dor de ficar sem meu Pai e a dor de ver meu Filho partir. São imensuráveis as dores.
Vai meu Filho para sua vida em outra cidade. A sua cidade talvez.
Envolto, fico eu, na bruma das lembranças que contém os sons de seus alegres gritos na sua tentativa de me assustar enquanto estava distraído lendo alguma coisa; de suas gargalhadas que me contagiavam e riamos juntos até quase “parar coração”, como você mesmo dizia. Todos os dias lembrarei da hora do banho e de suas invenções com o sabão e esponja; de suas palavras e comentários sobre o crescimento de seu corpo e seu desejo de ter barba e ter a voz do pai. Recordarei sempre das conversas e das histórias antes de dormir. De suas intermináveis perguntas sobre o porque de determinadas coisas nas histórias que eu inventava, pois você sempre queria histórias não contadas. “Quero uma história bem novinha pai. Uma que você ainda não contou e que não existe”. E assim, me lembrarei do cavalo Benjamin; da Tartaruga com sua bengala mágica; do Menino sonhador que sonhava e tudo se realizava. Vou me lembrar da terra dos miniaturas onde tudo era pequeno mas a alegria e a felicidade eram enormes e eles sempre estavam se defendo dos ataques daqueles que queriam roubar-lhes os tesouros Felicidade e Alegria e no final eu dizia que era você o tesouro e a alegria da vida de muitas pessoas, especialmente da minha vida.
Impossível esquecer suas palavras comentando seus desenhos “plefelidos” do Discovery; de suas obras de arte pintadas a guache e desenhadas a lápis de cera. Como apagar da memória os milhares de recortes de papel com figuras imaginárias espalhadas pelo chão da sala e, às vezes, invadiam a cozinha? Lembrarei, até o último dia de minha existência, de nosso passeio de trem em Tiradentes e de seu quase desespero para que eu entrasse logo no trem e deixasse de fotografá-lo, na janela, pelo lado de fora. O trem podia partir. Como apagar nossa viagem do Rio a Brumadinho – casa da Vó Dulce - e você falando sem parar a perguntar desde os nomes das cidades, do porque do nome ser assim, até porque a fofa(o carro) andava forte nas quatro rodas. Impossível não ouvi-lo todos os dias e todas as horas.
Escrevo este texto porque somente eu sei o quanto sou atravessado pelo sentimento da saudade que, talvez, em tamanho, se aproxime do amor que tenho por meu você. É muito duro viver essas emoções.
Espero que você tenha toda a atenção e carinho do mundo, não só porque merece, mas porque é necessário que você sinta isto. Você é uma pessoa muito inteligente e perspicaz e já sabe o que nos alegra e nos entristece. Já consegue ver um pouco as cruezas do mundo, mas também as alegrias.
Nesses breves, diria brevíssimos dias de convivência, você me ensinou muito. O mais importante é que aprendi a ter mais calma e conversar com paciência e tranqüilidade para chamar sua atenção e assim você me ouviu bastante. Ouviu tanto que até brincava com isto. “Tô prestanto atenção pai. Pode deixar que não vou fazer de novo”. E logo em seguida fazia a arte só para me contrariar de brincadeira e caía na gargalhada...Era assim quando fazia de conta que não queria comer...Ah! como vou sentir falta dessas coisas.
Hoje, dia dos Pais, só quero que meu Filho seja FELIZ. Este é o presente que desejarei sempre.
Te amo filho.
Seu Pai.