Oi,filho querido, boa noite! Resolvi passar e deixar um recado para você. Dizer que hoje quase fiquei alegre, pois consegui ouvir a sua voz, em uma frase apenas, mas valeu ouvir o som de sua voz-menino. Pena que o telefone da escola não deu para falar por causa da conexão e também porque você estava com pressa para ir ajudar no fazer dos pães. Mas fiquei um pouquinho alegre, confesso. A foto é para lembrar que você tocava na casa da vó Dulce a sua flauta. Um beijo Te amo, filho. Seu Pai.
Amado filho. Lembrei que havia escrito uma carta, no dia dos pais, de 2010, dia que você retornou para Cuiabá.
E, hoje, 29 de agosto, a coloco no blog, para um dia, quem sabe, você ler.
É uma carta retratando o que sentia e como eu estava já vivendo a saudade de você. Espero que entenda e não se aborreça, tá bom?
Te amo, filho.
Teu pai.
Ps. a foto é do nosso passeio no parque municipal de BH.
Rio de Janeiro, 08 de agosto de 2010
Para quem a se dispuser ler.
Hoje, é dia dos Pais. Um dia para se comemorar a existência de alguém na vida de outras pessoas, no caso, pai na vida dos filhos/filhas.
Hoje, como todos os dias, inúmeras coisas estão acontecendo e irão acontecer, como ocorre em todos os dias da vida humana. É mais um dia.
No entanto para mim, não é qualquer dia. Não é um simples dia de acontecimentos. É um dia muito especial. É um dia em que espaço e o tempo adquirem significado singular e faz com que me sinta outra pessoa.
Hoje, dias Pais, mais do que nunca, relembro meu pai e compreendo suas lágrimas derramadas de quando eu me despedia e partia em direção à minha casa em outra cidade. Percebo, agora, como somos tão parecidos no sentir a ausência/saudades.
Hoje, meu filho parte e retorna para sua cidade, como eu partia e eu chorava pela enorme saudade que passava a ocupar minha existência. Só posso dizer que dói. Dói demais as duas dores. A dor de ficar sem meu Pai e a dor de ver meu Filho partir. São imensuráveis as dores.
Vai meu Filho para sua vida em outra cidade. A sua cidade talvez.
Envolto, fico eu, na bruma das lembranças que contém os sons de seus alegres gritos na sua tentativa de me assustar enquanto estava distraído lendo alguma coisa; de suas gargalhadas que me contagiavam e riamos juntos até quase “parar coração”, como você mesmo dizia. Todos os dias lembrarei da hora do banho e de suas invenções com o sabão e esponja; de suas palavras e comentários sobre o crescimento de seu corpo e seu desejo de ter barba e ter a voz do pai. Recordarei sempre das conversas e das histórias antes de dormir. De suas intermináveis perguntas sobre o porque de determinadas coisas nas histórias que eu inventava, pois você sempre queria histórias não contadas. “Quero uma história bem novinha pai. Uma que você ainda não contou e que não existe”. E assim, me lembrarei do cavalo Benjamin; da Tartaruga com sua bengala mágica; do Menino sonhador que sonhava e tudo se realizava. Vou me lembrar da terra dos miniaturas onde tudo era pequeno mas a alegria e a felicidade eram enormes e eles sempre estavam se defendo dos ataques daqueles que queriam roubar-lhes os tesouros Felicidade e Alegria e no final eu dizia que era você o tesouro e a alegria da vida de muitas pessoas, especialmente da minha vida.
Impossível esquecer suas palavras comentando seus desenhos “plefelidos” do Discovery; de suas obras de arte pintadas a guache e desenhadas a lápis de cera. Como apagar da memória os milhares de recortes de papel com figuras imaginárias espalhadas pelo chão da sala e, às vezes, invadiam a cozinha? Lembrarei, até o último dia de minha existência, de nosso passeio de trem em Tiradentes e de seu quase desespero para que eu entrasse logo no trem e deixasse de fotografá-lo, na janela, pelo lado de fora. O trem podia partir. Como apagar nossa viagem do Rio a Brumadinho – casa da Vó Dulce - e você falando sem parar a perguntar desde os nomes das cidades, do porque do nome ser assim, até porque a fofa(o carro) andava forte nas quatro rodas. Impossível não ouvi-lo todos os dias e todas as horas.
Escrevo este texto porque somente eu sei o quanto sou atravessado pelo sentimento da saudade que, talvez, em tamanho, se aproxime do amor que tenho por meu você. É muito duro viver essas emoções.
Espero que você tenha toda a atenção e carinho do mundo, não só porque merece, mas porque é necessário que você sinta isto. Você é uma pessoa muito inteligente e perspicaz e já sabe o que nos alegra e nos entristece. Já consegue ver um pouco as cruezas do mundo, mas também as alegrias.
Nesses breves, diria brevíssimos dias de convivência, você me ensinou muito. O mais importante é que aprendi a ter mais calma e conversar com paciência e tranqüilidade para chamar sua atenção e assim você me ouviu bastante. Ouviu tanto que até brincava com isto. “Tô prestanto atenção pai. Pode deixar que não vou fazer de novo”. E logo em seguida fazia a arte só para me contrariar de brincadeira e caía na gargalhada...Era assim quando fazia de conta que não queria comer...Ah! como vou sentir falta dessas coisas.
Hoje, dia dos Pais, só quero que meu Filho seja FELIZ. Este é o presente que desejarei sempre.
Oi, filho amado...Depois de tanto tempo volto a dedilhar letras/palavras na vã tentativa de amenizar, diria preencher, o enorme vazio que sinto sem sua presença ao meu lado. Você está e estará sempre comigo, fique certo, te carrego no coração e na alma. Mas isto não impede que eu traga e sinta a enorme de dor de estar longe de você. Olhei o dia que escrevi a última vez e me lembrei que faltavam exatamente 05 dias para chegar ao Rio de Janeiro. No dia 13 de junho fui te buscar no Aeroporto, lembra? Parece que Deus havia tocado em mim quando te abracei. Chorei de alegria. Então, você passou dias maravilhosos em minha companhia, para mim foram os dias mais lindos que havia vivido nos últimos meses. E tempo passou tão rápido. E de repente você se foi. Eu fiquei aqui, sozinho novamente. Era dia dos pais e você foi embora...só coube a mim aguentar a dor da separação e fazer de conta que estava tudo bem, pois sabia que você estava com saudades de sua vida em Cuiabá...mas filho foi muito doído ver você partir...Mas a vida segue e eu, confesso, não sei muito bem como estou conseguindo resistir. Mas está muitíssimo difícil suportar não te ver crescer dia a dia. Não sei o que dói mais estar longe de você ou a minha culpa por ter ido embora...no fundo as dores se fundem e me consome. Filho, saibas que te amo...não fique triste por minha tristeza...ela é parte de mim...Te amo. Voltarei a escrever com regularidade, tá? Te amo Pai
Foto na fazendinha na BR 040...você adorou os bichos todos